Aprenda a Diferenciá-los


CABEÇA: a cabeça, é particularmente quem carrega a expressão racial e se o animal está ou não bem definido racialmente. Na cabeça devemos observar o perfil, visto lateralmente, o formato dos olhos e as orelhas, vistas de frente, seu tamanho, formato e posicionamento em relação aos olhos;

Na figura abaixo, vista de lado, verificamos que o perfil típico da 1/2 sangue é sub-convexo, o da 5/8 é tipicamente retilíneo e o da 3/4 é sub-côncavo, pois tem uma ligeira depressão na região da fronte. Uma regrinha para entender esta terminologia é a seguinte:
- a 1/2 sangue tem 50% de sangue Gir/Holandês = sub-convexo;
- a 3/4 tem 75% de Holandês = sub-côncavo;
- a 5/8 possui 62,5% de Holandês, ou seja, está exatamente entre a 1/2 sangue e a 3/4. Misturando sub-convexo (1/2) com o sub-côncavo (3/4) vamos obter o perfil retilíneo (5/8).

Ainda nessa figura, com esta visão lateral da cabeça, devemos observar os olhos dos animais, outra característica que nos auxilia na diferenciação do grau de sangue. Normalmente a 1/2 sangue tem olhos elípticos com a presença de rugas em sua parte superior, herança herdada da raça Gir, enquanto que a 3/4, possui olhos arredondados e ligeiramente saltados da caixa craniana, característica mais típica das vacas holandesas. Como as 5/8 são intermediárias, encontramos olhos médios em sua forma e saliência.

Na próxima figura, visualizamos a cabeça de frente, e observamos as orelhas, seu formato, tamanho, posicionamento e direcionamento em relação aos olhos.

PESCOÇO: Na parte superior do pescoço, que inicia-se na nuca e prossegue até a região da paleta do animal, encontramos a coluna cervical, recoberta pela musculatura rombóide (garrote) e no terço final do pescoço, a região que no gado de leite, chamamos de cruz, formada pelas escápulas (ossos da paleta ou espáduas).
Tipicamente nesta região, encontramos o cupim dos zebuínos, que é o desenvolvimento acentuado da musculatura rombóide e seus adjacentes, diferença marcante para o gado holandês, onde normalmente esta região é bem descarnada e aguda.
Guardando as devidas proporções, a regra segue o mesmo padrão da cabeça: quanto maior o grau de sangue de holandês do animal, como é o caso do 3/4, a característica tende a assemelhar-se a raça holandesa, ou seja, mais descarnada e triangular. Já a 1/2 sangue, nota-se a musculatura rombóide um pouquinho mais desenvolvida, pela maior presença de sangue gir, e a 5/8 com formato intermediário, como podemos visualizar na figura abaixo.
Evidentemente, que se formos avaliar a caracterização leiteira de uma vaca, é preferível que esta região seja mais descarnada, bem triangulada, sem excesso de cobertura muscular, com o pescoço alto, forte e bem inserido à cabeça e harmoniosamente implantado ao tórax, em qualquer um dos graus de sangue.


Ainda no pescoço, temos na parte inferior, a região que chamamos de barbela, que no gir, normalmente é bem desenvolvida, pregueada, com a courama bem solta; e na holandesa, é bem reduzida, sem pregas, lisa, praticamente inexistente.
A barbela da 1/2 sangue é típica, mais evidente, pela maior presença de sangue gir, iniciando-se na região do beiço do animal, o couro um pouco mais grosso, com a presença de pregas.
Já a 3/4, como podemos ver, é reduzida e lisa, iniciando-se na porção média do pescoço. Nas 5/8, é ligeiramente reduzida e menos pregueada em relação às 1/2 sangue.

GARUPA: A garupa é uma região limitada pelo lombo a frente, a cauda atrás, e abaixo as coxas, tendo como base anatômica os coxais, além do osso sacro.
O osso sacro é formado por 5 vértebras sacrais soldadas, portanto formando uma única peça. O sacro, quando muito saliente, em geral corresponde a garupa inclinada e escorrida lateralmente (cortante), o que constitui grave defeito.
Mas, “nem tanto ao céu, nem tanto a terra”, pois a garupa muito plana, com os ísquios mais altos (atrás) que os íleos (frente), o que chamamos de garupa invertida, também não é desejável, pois isto dificultará o parto e a expulsão dos restos placentários. O desejável é que a garupa tenha uma ligeira inclinação no sentido íleo-ísquio, variando de acordo com cada raça (na raça Holandesa em torno de 4 cm.).
Na parte anterior da garupa, existem duas saliências laterais, normalmente bem definidas, que são as ancas ou extremidades ilíacas, e na parte posterior encontramos as duas extremidades isquiáticas, chamadas de ponta da nádega. Ligando estes quatro pontos, a figura formada deve se aproximar da forma quadrada, com ligeiro estreitamento no sentido antero-posterior, ou seja, menor largura na região dos ísquios em relação a maior largura entre os ílios.
Outro detalhe em termos de qualidade da garupa, é que juntamente com o lombo, o dorso e a cernelha devem estar no mesmo plano, sendo que nas fêmeas deve ser analisada cuidadosamente, pois a garupa, além de armazenar os órgãos reprodutivos é chamada de “teto do úbere”, determinando sua altura, largura e amplitude.
A inclinação da garupa é uma diferença racial típica entre as raças Gir e Holandesa, sendo que na primeira a garupa é inclinada e na segunda é praticamente nivelada.

Na prática, concluímos que, quanto maior for a proporção de sangue holandês no animal, mais nivelada vai ser a garupa, esta é a tendência natural quando cruzamos as duas, ou o inverso: quanto mais inclinada, maior é a presença de sangue gir no animal.

Mostramos na Figura abaixo, as diferentes inclinações da garupa entre uma 1/2 sangue, 5/8 e 3/4, na seguinte ordem: a inclinação da 1/2 sangue é maior e mais evidente, pela presença de mais sangue Gir, a 5/8 tem uma garupa intermediária menos inclinada em relação a 1/2 sangue, e a 3/4, já com 75% de sangue holandês, tem uma garupa mais nivelada, bem mais plana em relação às outras duas.

Nesta oportunidade, vamos falar da vulva dos animais, como mais uma importante ferramenta para auxiliar-nos na diferenciação dos graus de sangue do Girolando.

Primeiro, o que é a vulva: a vulva para quem ainda não sabe, é a região que forma a parte terminal (externa) do aparelho gênito-urinário das fêmeas. É constituída pelos grandes lábios, revestidos internamente por tecido muscular. Em seguida há um par de pregas mais finas, os pequenos lábios, que podem ou não estar inclusos nos grandes lábios. No interior dos lábios encontram-se o clitóris, a uretra e a abertura da vagina. Localiza-se na extremidade posterior do tronco,  abaixo do ânus e acima do períneo, ficando normalmente protegida pela cauda.  A vulva de cor escura indica uma alta concentração de melanina, sendo mais indicada para o clima tropical. A posição ideal da vulva deve ser oblíqua, o que permitirá facilidade na cobrição e drenagem das secreções.
Para alguns, pode até parecer estranho, nos perguntando: mas por quê a vulva?
 - Morfológicamente,  a vulva da vaca Holandesa e da vaca Gir possui diferenças nítidas de tamanho, volume, forma, cor, etc.  A Figura 1 nos permite fazer uma comparação visual de uma vulva normal, entre duas vacas adultas das raças Holandesa e Gir. Notamos que na Holandesa a vulva é de tamanho e volume menor (7-10 cms.) enquanto que na Gir encontramos quase que o dobro de volume e tamanho de 12 a 15 cms. Outro detalhe bem visível é a maior presença de rugas (estrias) na vulva da vaca Gir, enquanto que a da Holandesa é praticamente lisa.

Esse conhecimento das raças formadoras do Girolando é sempre necessário para entendermos bem, de onde vêm as diferenças morfológicas entre os graus de sangue.
    Exatamente por essa característica marcante, que a vulva é uma região que se diferencia no Girolando, dependendo da proporção de sangue Holandês/Gir que compõe o animal.
    Na Figura 2, exemplificamos bem isso: as Girolando 1/2 sangue, com 50% de sangue Holandês e 50% de sangue Gir, mantêm uma conformação da vulva mais próxima das vacas Gir, conservando um maior volume e a típica presença de rugas (estrias). Já as 3/4 de sangue, com 75% de Holandês, carregam a característica da vulva das holandesas, com menor volume e menos estrias, praticamente lisas. Como as 5/8 possuem 62,5% de sangue Holandês, estando entre as 1/2 sangue e 3/4 na proporção genética, suas características vão ser sempre intermediárias em relação a elas. Ou seja, no caso específico da vulva da 5/8, ela apresenta um maior volume em relação as da 3/4 e com presença de estrias. Comparando a vulva da 5/8 com a 1/2 sangue, o volume é menor e não tão nitidamente estriada como encontramos nas ½ sangue.

Por mais que a gente se esforce, através de bons recursos de fotografia e didática, nunca teremos a mesma visão do que na prática, trabalhando com os animais ao vivo, no curral.
Exercite o “olho” praticando na fazenda.
Essa habilidade pode render-lhe  grandes frutos no futuro, na hora de comprar, ou na hora de vender seus animais.
Para terminarmos nossa abordagem sobre a vulva, mais uma dica: como a vulva é uma região intrinsicamente ligada aos  órgãos sexuais femininos, recebendo influência direta de hormônios, etc.,  dependendo do seu desenvolvimento em relação a idade do animal pode ser sinal de alguma anomalia sexual, tendo consequências significativas  na parte reprodutiva das vacas. Uma vulva atrofiada, o que chamamos tecnicamente de “vulva infantil”, aquela que nós encontramos nas novilhas “maninhas”  é sinal de sub-fertilidade ou até mesmo de esterelidade.

Orkut: